20 de jan de 2014

Fotografias?

Caro amigo...


Sábado minha mãe decidiu fazer uma daquelas colossalmente megas e incrivelmente gigantescas, espalhafatosas e apocalípticas limpezas na casa. Daquele tipo que deixa todos os cômodos da casa de ponta cabeça, que tira todo o pó acumulado debaixo dos móveis que não são normalmente deslocados e que servem como expedições de exploração da casa, porque geralmente são achadas coisas perdidas e antigas que ninguém mais lembrava da existência. Mamãe costuma fazer isto quando está depressiva, irritada ou entediada. Neste caso específico ela estava depressivamente irritada de tédio. A única e grande regra colocada por ela nestes dias de limpeza é "saia ou sobreviva". 

Papai decidiu sair, e o Pedro foi junto. Acho que eles foram procurar casas à venda, não que eles fossem comprar alguma, é só um hobby antigo dos dois, o qual nunca me interessou por ser inútil. Beatriz saiu com o Elvis, nosso pastor alemão, para passear. Eu decidi ficar e sobreviver. No decorrer da colossalmente mega e incrivelmente gigantesca, espalhafatosa e apocalíptica limpeza eu devo ter sido ralhado centenas de vezes com coisas do tipo "eu estou limpando aí, você não está vendo?", "Eduardo, saia deste cômodo, eu quero limpar aí", "ah, meu Deus, Eduardo, saia de dentro do roupeiro", entre outras. Até que os barulhos e ataques de sermão dela pararam de repente, o que foi estranho, pois fazer limpeza é sinônimo de reclamar da vida para ela. Eu notei e fui verificar se ela ainda estava viva. Ela tinha achado alguns álbuns antigos, e estava sentada no sofá, chorando enquanto os olhava. Eu sentei do seu lado e comecei a olhá-los também. 
- Por que você está chorando, afinal? - eu perguntei.
- Ora, Dudu, nestes álbuns estão guardados momentos maravilhosos e inesquecíveis! - mamãe respondeu, acariciando minha cabeça com uma mão, enquanto virava as páginas de um álbum com a outra.
Por um minuto fiquei pensando em como você guardaria momentos em um álbum e que talvez a limpeza estivesse a enlouquecendo. Mas amigo, você já parou para pensar o quanto fotografias são incríveis? Eu nunca havia parado para pensar, na verdade, mas depois do que a mamãe disse, eu percebi que elas conseguem eternizar momentos que você gostaria de reviver e não pode, como se você parasse aquilo no tempo e guardasse em um álbum. E de certa forma, as fotos acabam fazendo com que você reviva momentos sempre que as olhar e se recordar de quando ou como foi que aconteceu. Sempre achei que isso era coisa de mãe, mas tenho certeza que agora fotografias são coisas legais. Inclusive, pretendo escolher a opção "sobreviver" em todas as colossalmente megas e incrivelmente gigantescas, espalhafatosas e apocalípticas limpezas que a mamãe fizer pra sempre! 
Estou enviando coladas com tenaz na carta algumas fotos que eu encontrei. Espero que você goste!

Estes são papai fingindo que sabia dirigir a lambreta do meu avô e mamãe apaixonada. Ninguém lembra quem é a moça da esquerda, deve ser um espírito.

Meu pai e meus tios pagando de surfistas na época da pedra.

A bebê da esquerda é minha mãe, no colo da minha avó. Estas eram as mulheres da família.

Papai e mamãe estragando suas vidas.

Pedro, Beatriz e eu, provavelmente emburrado.


Abraços do seu amigo Eduardo.



Estas imagens foram aleatoriamente retiradas da internet.

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