30 de jan de 2014

Férias? Não!

Caro amigo...


Assim como eu, você também deve estar em férias, certo? 

Errado.
Isto é o que eles querem que nós pensemos. Quando chega dezembro pensamos "finalmente, livre de obrigações". Como somos tolos. Estamos apenas livres - por um curto espaço de tempo - das nossas obrigações escolares. Mas a vida não é feita apenas de obrigações escolares, o que torna as férias escolares praticamente inúteis. Quando estamos por tempo integral em casa, surgem obrigações a serem cumpridas de todo lugar. Você acorda, pisa em uma obrigação. Você escova os dentes, uma obrigação é jorrada da torneira. Você abre o armário para pegar um cereal, cai uma obrigação na sua cabeça.
Tudo isto porque os seus pais não estão felizes em ver você simplesmente relaxando, porque afinal, se eles não podem relaxar, nós também não podemos. 
- Eduardo, você já arrumou seu quarto?
- Não, mãe, mas vou logo depois de assistir este filme.
- Eduardo, vá arrumar o seu quarto agora.
- Mãe, eu estou assistindo um filme.
- Agora.
E então eu acabo levantando do meu maravilhoso e único momento de calma e silêncio em direção a arrumação do meu quarto - o que podia muito bem esperar até o final do filme - para não ficar ouvindo minha mãe mugindo nos meus ouvidos. Se você for uma mãe, perdoe-me, mas ninguém manda você ser chata. E sim, estou afirmando que você é chata porque pelo menos 30% do tempo de vida de uma mãe são usados para chatear seus pobres e inocentes filhos.
Você consegue entender agora porque as férias são tão frustrantes? Porque tentamos fugir de uma rotina cansativa que viemos vivendo o ano todo para entrar em outra rotina quase tão cansativa quanto. É como fugir do pior para o ruim, mas nunca para o bom. 
Sendo assim, deixo registrado nesta carta o desabafo de uma criança sonhadora e esperançosa que espera um dia viver suas férias merecidas de verdade, sem ser interrompido durante as coisas que gostaria de fazer durante o ano, quando é igualmente interrompido.
Mãe, espero que ao levar esta carta para o correio e direcionar para o meu amigo, você leia cada palavra e se sinta culpada, volte, me dê um abraço e deixe eu ser feliz.
Ps.: Eu não estou dizendo que prefiro escola, porque pior que escola só a guerra. 


Abraços do Eduardo, escravo da própria mãe.

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